O Engenheiro que Complementa o Imobiliário
O mercado de arrendamento em Lisboa é um dos mais
dinâmicos e desafiadores da Europa. Nos últimos anos, tem sido marcado por uma
forte pressão da procura, preços elevados e uma constante evolução regulatória.
Para quem procura casa ou planeia investir na capital, é essencial compreender
as tendências que moldam este setor, especialmente para 2026.
A procura por arrendamento em
Lisboa mantém-se robusta. É impulsionada por três fatores principais:
·
Jovens Profissionais e Expatriados:
Lisboa continua a atrair talento internacional, executivos e nómadas digitais,
que procuram arrendamento de longa duração, muitas vezes com um poder de compra
superior à média nacional.
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Atraso na Compra: Devido aos preços
elevados de compra e, historicamente, a taxas de juro mais altas, muitas
famílias adiam a compra de casa e permanecem no mercado de arrendamento.
·
Estudantes: A capital é um grande polo
universitário, com forte procura de alojamento por estudantes nacionais e
internacionais.
Em contrapartida, a oferta é
escassa. Muitos imóveis migraram para o alojamento local (embora esta tendência
tenha abrandado) e a construção de novas casas para arrendamento não acompanha
a velocidade da procura. O resultado é a manutenção de rendas em patamares
historicamente altos.
O mercado está a tornar-se
cada vez mais segmentado. O arrendamento de luxo para executivos e grandes
famílias internacionais continua a subir. No mercado de massas, as rendas
estabilizaram, mas em valores que comprometem fortemente o rendimento familiar.
No futuro, espera-se um
crescimento do modelo Build-to-Rent (BTR). Grandes investidores e
promotores estão a construir edifícios especificamente concebidos para o
arrendamento de longo prazo. Esta tendência é crucial para aumentar a oferta de
qualidade e introduzir alguma racionalidade no mercado.
O enquadramento legal, como
o programa Mais Habitação (e as suas alterações subsequentes), tem
tentado intervir no mercado através de incentivos fiscais para senhorios que
pratiquem rendas mais baixas e medidas de simplificação para o licenciamento.
·
Rendas Acessíveis: A eficácia destas
medidas ainda está a ser avaliada, mas a pressão pública e política continuará
a forçar a criação de mecanismos que promovam o arrendamento a preços mais
controlados, especialmente em zonas de elevada pressão.
·
Regime de Arrendamento Não-Residente: O
interesse de estrangeiros continua, mas a legislação impõe mais regras e a
necessidade de fiscalização, o que afeta a dinâmica entre o arrendamento de
curta e longa duração.
O futuro do arrendamento
passará pela digitalização dos processos (contratos, gestão, check-ins e
check-outs), bem como pela valorização da eficiência energética.
Imóveis com melhor certificação energética e soluções de domótica serão mais
procurados, pois representam poupança a longo prazo para o inquilino.
O mercado de arrendamento em
Lisboa em 2026 manterá a sua resiliência, mas a chave estará na capacidade do
setor de Build-to-Rent e das políticas públicas conseguirem introduzir
nova oferta de forma significativa. Para o investidor, o foco deve estar na
qualidade, localização estratégica e na sustentabilidade do ativo. Para o
arrendatário, a pressão mantém-se, mas a segmentação e o aumento da oferta BTR
poderão, a longo prazo, oferecer mais opções.
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INE – Instituto Nacional de Estatística:
Para dados oficiais sobre rendas médias e evolução do mercado de arrendamento.
·
Confederação da Construção e do Imobiliário
(CPCI): Para análise sobre o impacto da legislação e o panorama do Build-to-Rent.
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Relatórios de Consultoras Imobiliárias (Ex:
JLL, Savills): Para tendências de mercado e segmentação de preços em
Lisboa.
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