O Engenheiro que Complementa o Imobiliário
Desde a pandemia de COVID-19, o teletrabalho (trabalho remoto) deixou de ser uma opção ocasional para muitos e transformou-se numa realidade institucionalizada em várias empresas portuguesas. Essa mudança de paradigma tem impactado não apenas o modo de trabalhar, mas também o local onde as pessoas desejam viver — alterando demandas, prioridades urbanas e perfis de regiões residenciais.
Neste artigo,
aprofundamos as tendências mais relevantes em Portugal em 2025, identificamos
oportunidades e apontamos os desafios que esta mudança comportamental traz ao
mercado imobiliário.
· Antes da pandemia, estimava-se que cerca de um terço dos postos de trabalho em Portugal
fossem compatíveis com o teletrabalho, segundo dados da OCDE.
· Com a crise sanitária, essa modalidade
expandiu-se rapidamente, e muitas empresas adotaram regimes híbridos ou
totalmente remotos. Uma análise normativa recente define novas políticas e
regulamentações — como o “Acordo-Quadro Europeu sobre Teletrabalho” adaptado ao
contexto português.
· Em 2025, especialistas afirmam que dificilmente
o país voltará a um regime predominantemente presencial. O teletrabalho tem se
mantido, muitas vezes de forma híbrida, por aumentar produtividade e reduzir
deslocações.
Esta normalização do trabalho remoto abriu
espaço para transformações significativas nas preferências habitacionais.
Com pessoas trabalhando em casa várias vezes
por semana, imóveis com divisões amplas, com espaço suficiente para montar um
escritório ou sala de trabalho, têm se tornado mais valorizados. Propriedades
com varandas, terraços, luz natural,
isolamento acústico e conectividade digital são muito mais demandadas.
A possibilidade de não ter que estar fisicamente próximo ao local de trabalho está a motivar muitas pessoas a buscar habitação em municípios adjacentes ou em regiões no interior, onde os preços são mais acessíveis e o ritmo de vida é mais tranquilo.
Em localidades costeiras ou de charme — como no Algarve, nas ilhas ou pequenas vilas do interior — a procura de residências ou de segundas habitações com bom conforto digital e infraestrutura cresce entre trabalhadores remotos e “digital nomads”.
A qualidade da ligação à internet (fibra, latência, estabilidade) deixou de ser um detalhe secundário — é condição essencial. Soluções de home office integradas, tomadas bem distribuídas, isolamento e sistemas de climatização eficientes passaram a ser requisição básica.
Além disso, proximidade a espaços de coworking, oferta de serviços locais (cafés, hubs de criatividade, transportes) e acessos logísticos também tornam-se diferenciais. Portugal Pathways+1
Muitos trabalhadores remotos optam
inicialmente por arrendamento (de médio ou longo prazo) antes de tomar decisões
definitivas de compra. Isso lhes dá flexibilidade para testar regiões, fazer
adaptações e avaliar custos reais. Terrenos, imóveis antigos para reabilitação
e frações que permitam intervenções pessoais tornam-se candidatas interessantes
para investimento. alinareis.com+2apartool.com+2
Nas grandes cidades como Lisboa e Porto, já se
nota pressão sobre a oferta habitacional, com consequências como aumento nas rendas, deslocamento de residentes
locais e competições com o mercado turístico. Idealista+2Global Citizen Solutions+2 Alguns bairros
tradicionais viram supressão de oferta residencial em favor de unidades
adaptadas para habitação temporária de nômades digitais. The Guardian+2Idealista+2
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Oportunidades |
Desafios |
|
Reabilitação de imóveis com estrutura para home office |
Pressão nos preços em zonas centrais |
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Desenvolvimento de novos empreendimentos com amenidades
inteligentes |
Concorrência por boas localizações (infraestruturas,
serviços) |
|
Reposicionamento de imóveis rurais ou residências
secundárias com boa conectividade |
Garantir sustentabilidade financeira em regiões menos
densas |
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Oferta de arrendamentos flexíveis ou modelos “coliving” |
Logística de adaptação (internet, licenciamento,
manutenção) |
|
Mercado internacional de nômades digitais e expatriados |
Gestão de expectativas culturais e legais, due diligence
internacional |
Além disso, o segmento corporate housing (alojamento para
profissionais em deslocação) também está a adaptar-se ao novo perfil
demandante, integrando estadias mais longas, mobília funcional e contratos
flexíveis.
1. Identificar
zonas emergentes com potencial de valorização (zonas suburbanas com
bom acesso, municípios históricos próximos de polos urbanos).
2. Projetos novos ou
reabilitados devem contemplar “home office ready”: canalização
elétrica, conectividade, bom isolamento, layout adaptável.
3. Marketing
segmentado: publicite os imóveis destacando o potencial para
teletrabalho — “escritório no imóvel”, fibra instalada, vistas tranquilas.
4. Flexibilidade
contratual: em arrendamentos, modele contratos com cláusulas de
permanência mínima mas possibilidade de adaptação.
5. Parcerias
estratégicas: cooperar com provedores de internet, coworkings locais e
serviços complementares que agreguem valor residencial.
6. Monitorização
contínua das tendências de migração interna, preços imobiliários e
políticas públicas de habitação.
· A procura por imóveis “mistas” (trabalho +
habitação) irá consolidar-se, sobretudo em cidades médias e zonas internas que
ainda preservem boa infraestrutura.
· A pressão nas grandes cidades poderá levar a
deslocamentos mais pronunciados; já se discutem iniciativas públicas para
reclassificação de terrenos urbanos para habitação acessível.
· A sustentabilidade, certificações verdes e
eficiência energética ganharão peso decisivo, especialmente em imóveis que são
usados com maior intensidade diurna.
· A regulação do alojamento local e o impacto
social do turismo continuarão a influenciar a disponibilidade habitacional e o
perfil dos bairros urbanos.
O trabalho remoto não é apenas um tema laboral: é um transformador direto das preferências dos cidadãos em relação ao espaço onde vivem. Em Portugal, profissionais, investidores e consultores imobiliários precisam incorporar essa nova demanda para antecipar oportunidades reais. A chave estará em oferecer imóveis que conversem com produtividade, qualidade de vida, mobilidade flexível e conectividade, empatando técnica, estética e funcionalidade.
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O Impacto do Teletrabalho em Portugal em 2024 –
Mais Consultores Mais Consultores
·
A Influência do Teletrabalho nas Preferências
Habitacionais – Endeksa endeksa.com
·
Working
Remotely in Portugal – Idealista Idealista
·
The
Impact of Remote Work on Portugal’s Property Market – Alina Reis Blog alinareis.com
·
Teletrabalho em Portugal: Quadro Normativo e
Políticas Recentes – GEE GEE
·
Trends
and Prospects of the Corporate Housing Market in Portugal – Apartool apartool.com
· Crise da Habitação em Portugal – Wikipédia (dados consolidados) Wikipédia
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